CRÍTICA DO FILME: O ILUMINADO

O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick, baseado no livro homônimo de Stephen King, é um renomado filme de terror e suspense. Eu sou bem medrosa pra essas coisas, confesso. Mas em plena sexta-feira 13 desse mês, tive a brilhante ideia de finalmente assistir a esse clássico.

No papel principal, Jack Nicholson faz Jack Torrance, que vai para o elegante e isolado Overlook Hotel com sua esposa (Shelley Duvall) e o filho (Danny LLoyd), para trabalhar como zelador durante o inverno.  O que era para ser apenas mais uma experiência em família, se transforma em uma fantasmagórica jornada de loucura.

 

As primeiras cenas passam a familiar ideia de tranquilidade com que os filmes de terror costumam começar. Mas a trilha sonora sinistra já dá sinais de que, a qualquer momento, algo terrível pode acontecer.

A caracterização da família Torrance, assim como tudo no filme, é pensada para instigar a tensão. São pessoas sombrias e se eu já não soubesse quem seria o maluco da história, suspeitaria de todos eles. Especialmente do Danny.

Aquela criança perseguida por vozes e visões te deixa apreensivo o filme todo. Danny Torrance, o “iluminado” do título do filme, possuí habilidades paranormais e é o único que parece entender o que está acontecendo no hotel. A cena do “Redrum, Redrum, Redrum” é, de longe, a mais assustadora pra mim.

O pai, Jack Torrence, vai enlouquecendo pouco a pouco. Influenciado por algo sobrenatural que assombra o hotel ou pelo total isolamento que a localização e o inverno rigoroso provocam no lugar. Chega um momento em que não sabemos com certeza se o que a família vê é realidade, alucinação ou algo mais.

Esperava ficar mais amedrontada durante e, principalmente, depois do filme. Mas isso não quer dizer que foi tranquilo assistir a ele.

Os enquadramentos fazem do filme uma pintura de terror emoldurada pela trilha sonora. É assim que o filme dá medo, de forma sensitiva. Visualmente ele é cheio de simetria, planos e ângulo que trabalham o psicológico do espectador. Enquanto a trilha sonora nos deixa no gatilho para um susto com o menor imprevisto.

Nunca mais vou olhar para um corredor de hotel do mesmo jeito. Ou para qualquer corredor vazio e lugar isolado no meio do nada. AH! Também vou evitar crianças gêmeas por um tempo.


Curiosidade: Stephen King detesta o filme. Em entrevista à Rolling Stone ele disse: “As pessoas obviamente adoram o filme, e não compreendem por que eu não gosto. O livro é quente, o filme é frio; o livro termina com fogo, e o filme, com gelo. No livro, existe um verdadeiro arco em que você vê este sujeito, Jack Torrance, tentando ser bom, mas que, pouco a pouco, vai se tornando maluco. E, quando assisti ao filme, Jack era louco desde a primeira cena. Tive que ficar com a boca fechada na época. Era uma exibição antecipada, e Jack Nicholson estava presente. Mas fiquei pensando comigo mesmo, no momento em que ele apareceu na tela: “Ah, eu conheço esse cara. Eu já o vi em cinco filmes de motoqueiro, em que Jack Nicholson fazia o mesmo papel”. E é tão misógino. Quero dizer, Wendy Torrance simplesmente é apresentada como uma dona de casa que não para de berrar. Mas essa é só a minha opinião, é só o jeito como eu sou”.

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